quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Nossos Corpos

       
       Ainda tenho a leve sensação que você entrara por aquela porta todo alvoroçado, cabelos revoltos, respiração ofegante. Posso ate ver seu cansaço, sua mala jogada no corredor. E seu sorriso? Poxa. Seu sorriso me faz estremecer, me devolve todas as esperanças.
     Mas logo escuto um barulho e chego ate acreditar que aquela sensação estivesse se tornando realidade. Mas logo percebo que não e você. Era o vento, o único que anda me fazendo companhia ultimamente.
    Lembro de nossos beijos, de sua mania de deitar a cabeça em meu colo, nossas risadas e gargalhadas soltas. Nossos corpos quentes, nossos toques. Seu toque. Sua fala suave ao meu ouvido. Ate mesmo nossas lagrimas. Meu corpo agora frio, apoiado na parede, fico na varanda esperando algum sinal, talvez o seu carro apareça por ali, e la debaixo você me olhe e me mostre aquele leve sorriso sorriso. Mas não ha sinais. Talvez não haverá sinais. Luzes apagadas, Apenas o clarear da lua. Ah, lembra que contávamos estrelas juntos. Voce não lembra, não e?
  O chá frio, pé frio, cama fria. Meu corpo cansado, mente cansada por essa espera, me deito. Seu travesseiro ao lado, seu cheiro ao lado, nossa foto ao lado da cama, estávamos tao felizes aquele dia. Onde foi parar aquele amor? Onde foi parar você?
O sono aparece. Melhor. Ando cansada, você levou consigo todas as minhas energias. Obrigada. Você levou tudo quando arrumou todas as suas coisas na mala, segurando a maçaneta da porta disse: Nao da mais, agora e cada um por si, desculpa. Continuei ali parada, intacta. Desculpa? Desculpa não sara minha dor. E agora?
  Em minha cabeça havia trilhões de perguntas sem respostas, um sentimento, uma dor, uma falta. A tal falta que me acompanha ate hoje, vontade de ligar, de escutar sua voz. Sua voz era meu som preferido. Meu erro foi ter me doado tanto a você. Nossos corpos se uniam, se completavam. Agora? Agora meu corpo esta frio, sente falta de seu calor. Nao sei você. Mas eramos um só. Um só corpo.

       

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