segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

On the Road


     Meus pés já cansados. Minhas mãos tremulas, já não tenho forças suficientes. Ja não exijo mais nada de nos. Hoje sigo uma estrada, a estrada que me levara ao alcance de algo.
     Escolhi. Escolhi em meio a dor, escolhi a melhor forma de amenizar todo esse sentimento avassalador. Coloquei minha roupa mais leve, calcei os sapatos mais confortáveis, não esperei o seu sim. Suas palavras já não fazem sentido, são como quebra cabeças que jamais se encaixarão. Virei a curva com toda velocidade possível, apenas queria sentir a brisa. Deixei que os ventos tocassem os meus cabelos suavemente, queria me sentir viva novamente. Nao me diga adeus, não acene para mim, não faca gesto algum.
  Estacionei em um lugar qualquer, apenas para me sentir viva novamente. A estrada, a procura, as lagrimas, os pés descalços pisando em folhas secas. Fiz questão de me adentrar por entre as arvores, me ajoelhei, peguei o barro com as mãos, o joguei para o alto. Mas qual sera o sentido disso tudo? Minhas palavras confusas, se aderindo a minha mente borbulhante. A chuva se faz presente, cada gota desce pelo corpo, a umidade, como aquele ultimo toque. Nao quero o arrependimento. Posso escutar passos, mas nada nesse local faz sentido. Sao os meus fantasmas. Sao os vestígios de um passado que me assombra.
  As lagrimas já se embaraçam com a chuva. Talvez seja melhor voltar ao meu caminho, roupa molhada, maquiagem borrada. So relembro suas ultimas palavras em meio aquele silencio. Anoitecer seria favorável, o escuro não me amedronta, ele já faz parte, talvez eu esteja sendo dura comigo mesmo. Volto ao carro, volto ao caminho. Volto ao nada. Entre o vidro do carro, já posso ver os primeiros raios de sol,  seriam esses que iluminariam meu caminho? Me aqueceriam ao meio ao frio? Sei la.
  Respostas não fazem sentido. Ah, minha respiração presa. Em meio a distração. Um susto. Poderia ser um sinal, aperto bem a mão no volante, enquanto passo a outra em meus olhos. Sigo esta estrada vazia, talvez fosse melhor o som ligado. Oh shit. Nada me faz melhor agora, mas não quero estacionar a minha vida, não quero voltar atras. Sigo esta estrada, e deixo você  la atras. Nao terá volta, não percorrerei mais estradas em sua direção.
 Seguirei esta estrada, ate que as luzes de alguma cidade me faça esbravejar, me faça ir alem. Luzes que iluminarão meu interior, que me fara saltar. Poderá encher meu corpo de vida, minha mente. Sinto meu corpo escorregando levemente ate o chão. Mas ha um caminho a minha espera, cicatrizes farão parte de mim, mas atras daquela curva ha algo novo. Minha estrada continua intacta, pássaros no céu, a brisa enquanto olho para fora. Enquanto busco algo. Enquanto busco minha própria recuperação. On the Road.

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